Acervo Documental Mesopotâmia Mineira

Acervo de documentação cartorial do século XIX da região de Pará de Minas, antigo arraial Patafufo. Contato com o coordenador: fonte@nwnet.com.br

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Terra Blog

10.01.08

Vigário Paulino Alves da Fé

Geraldo Fonte Boa


Já há algum tempo a equipe do Projeto Acervo Documental “Mesopotâmia Mineira” vem divulgando dados extraídos do testamento do Vigário Paulino Alves da Fé, documento que faz parte do acervo do Museu Histórico de Pará de Minas. Nos testamentos, geralmente encontramos dados referentes à última vontade daqueles que pressentem a proximidade da morte. São documentos importantes, uma vez que expressa as concepções morais, religiosas e éticas de uma determinada época. Tais concepções são expressas nas vontades individuais, permeadas de medos, angústias e confissões que até àquele momento eram de “foro íntimo” e que, por um motivo qualquer, a pessoa sente a necessidade de revelar.

Em seu testamento, Vigário Paulino confessa que “com grandíssimo vexame e milhares de arrependimentos (…) fui vencido pela natural fragilidade humana”, e que devido a essa “fragilidade”, teve uma filha. Em respeito ao sofrimento que teve ao acompanhar toda a vida de sua filha (desde o nascimento até a morte) sem poder lhe revelar que era seu pai, não nos cabe aqui julgar os atos do sacerdote. Essa confissão do Vigário Paulino, no entanto, é emblemática, uma vez que revela uma concepção moral e ética do final do século XIX e início do XX (o Vigário Paulino faleceu em 1906).

Depois de algum tempo encontramos o Inventário post-mortem do referido vigário. Nesse tipo de documento, o importante é a declaração e o destino dado aos bens de uma pessoa falecida. No caso dos inventários do século XIX e início do XX, todos os bens eram descritos: catres, bancos, utensílios domésticos, objetos de uso pessoal, bens móveis, imóveis e semi-moventes (animais e escravos), etc.

No inventário do Vigário Paulino, através da análise da declaração e avaliação dos bens, é possível reconstruir (imaginar) a Largo do Rosário, onde o vigário tinha duas casas, e a praça da Matriz, onde o mesmo tinha um sobrado que, pela descrição, devia ser belíssimo. Nesse inventário, foram nomeados 5 herdeiros diretos (netos) a pedido do vigário e uma herdeira indireta. Dos cinco herdeiros diretos, apenas um era “de menor” (14 anos), o qual, com os recursos da herança, pôde completar seus estudos, formando-se em “Pharmácia” em Ouro Preto – em seguida, fixou residência em Papagaios. Quanto à herdeira indireta, era sua afilhada, filha de um ex-escravo do sacerdote. A herança dessa herdeira foi aplicada na sua formação, que a levou a se tornar “professora pública”. Casou-se em 30 de novembro de 1911, mudando-se, em seguida, para Cristais, distrito de Campo Belo, onde exerceu o magistério. Fora esses bens, que representam uma terça (1/3), uma outra parte foi destinada à reforma da Matriz e outra à Conferência de São Vicente, a pedido do sacerdote.

Acervo Documental Mesopotâmia Mineira: Geraldo F. Fonte Boa (Coordenador do Projeto), Flávio M. Silva (Coordenador do Curso de História da FAPAM), Ana Maria C. Varela (MUSPAM); Prof. Alaércio Delfino, Prof. Geraldo Rodrigues e Prof. Joandre O. Melo.
Contatos: E-mail: fonte@nwnet.com.br; Home Page: www.nwm.com.br/fms

 

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