18.10.08
A saga dos Congadeiros de Pará de Minas III
Sobre esta solenidade, a pesquisadora Rosane Volpatto relata que Koster descreve o ato de coroação de um rei do Congo, em Itamaracá, no ano de 1811, da seguinte forma: "Às onze horas, dirigi-me à igreja com o vigário, colocamo-nos na entrada e, com pouco vimos aproximar-se um grande número de negros e negras trajados de várias cores, precedidos de tambores tocando e de bandeiras desfraldadas. Quando estiveram perto distinguimos no meio deles o rei, a rainha e o secretário de Estado. Os dois primeiros tinham coroas de papelão cobertas de papel pintado e dourado. Do uniforme do rei, a casaca, o colete e os calções eram de três cores: verde, encarnado e amarelo, e talhadas à moda antiga; trazia na mão um cetro de madeira perfeitamente dourado e a rainha trajava vestido de seda azul, também à antiga. O pobre do secretário, porém, podia lisonjear-se de trazer em si todas as cores diversas como seu soberano, mas era evidente que, tanto de um lado como do outro, eram roupas emprestadas, porque os calções eram estreitíssimos e o colete desmedidamente amplo. Terminado o ato religioso, teve lugar a cerimônia de coroação, na porta de igreja, sem mais outra formalidade que ajoelhar-se o rei e receber sobre a cabeça a coroa real colocadas pelas mãos do paróco, voltando então o préstimo para o engenho Amparo, na mesma ordem em que veio, e onde passou-se o dia festivamente, com lautas mesas e danças à moda africana."
Apesar de ocorrer tradicionalmente no mês de outubro, a Festa de Nossa Senhora do Rosário também acontece nos meses de agosto e setembro em alguns municípios. As Guardas de Congo e o Reinado são partes integrantes desta festa caracterizada pelo catolicismo e a devoção à santa.
Em Pará de Minas existe a Guarda de Congo Nossa Senhora do Rosário e também grupo de Moçambique. Porém, existem diferenças entre ambos, apesar de muitos consideraram que tudo é Congado e Reinado, tendo como objetivo principal o culto á Nossa Senhora do Rosário.
De acordo com a tradição, as Guardas de Congo tem a função de puxar todos os dançarinos, num ritmo mais acelerado. Ao grupo Moçambique cabe zelar por Nossa Senhora, representada pelos reis cujas coroas a guarda conduz.
A diferença entre ambos também é notada no vestuário. Os grupos moçambiqueiros usam as cores azul e branco, reconhecidamente as mesmas de Nossa Senhora do Rosário. Por outro lado, os congadeiros são reconhecidos pelas roupas nas cores rosa e verde, que simbolizam o caminho com galhos e flores, onde deve passar Nossa Senhora. Os congadeiros seguem na frente para anunciar a chegada dos filhos do Rosário, preparando a passagem. Vale ressaltar que o bastão simboliza o Moçambique e a Guarda de Congo é caracterizada pela espada e o tamboril.
Estes dois grupos são os mais populares. Entretanto, os estudiosos do assunto já detectaram a existência de oito grupos: Cavaleiros de São Jorge, Candombe, Vilão, Congo, Moçambique, Marujos, Catopés, e os Caboclos, também conhecidos como tapuios, botocudos, caiapós, tupiniquins, penachos e cabloclinhos. Eles são diferenciados pelos nomes, estandarte, ritmo, vestuário e maneira de dançar e cantar.
Após percorrerem o caminho traçado, as guardas e grupos participam de missa festiva na igreja de Nossa Senhora do Rosário (o que não é o caso de Pará de Minas, onde existe a igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, o que não é a mesma coisa) e durante a celebração pode ocorrer a coroação do rei e rainha do congado, já que em algumas localidades a coroa é vitalícia e hereditária e, ao final, são abençoados pelo padre celebrante. Em seguida eles saem pelas ruas dançando, cantando e tocando tambores, fazendo a festa.