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Em 15 de setembro, o povo de Pará de Minas celebrou o dia da sua Padroeira, Nossa Senhora da Piedade. Como se trata de uma data especial, a equipe do Projeto Acervo Documental Mesopotâmia Mineira decidiu estudar um pouco mais sobre esta celebração, que ao longo do tempo foi retratada de diversas maneiras e ganhou nomes diferentes, como Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora de Guadalupe e Nossa Senhora Aparecida, dentre tantos outros.
Assim resolvemos transcrever parte da pesquisa relatada no Caderno Técnico do IEPHA/MG, editado em 1982, no Caderno 01, cuja cópia foi cedida ao Museu Histórico de Pará de Minas pela Superintendência de Museus do Estado de Minas Gerais. O Caderno é intitulado “Iconografia da Virgem Maria” e o relato que seguirá foi extraído das páginas 19 e 25:
“O terceiro grupo iconográfico refere-se à Virgem das Dores. Na Arte do Período Medieval, Nossa Senhora das Dores ocupa um lugar de destaque, sendo representada às vezes com cristo Morto sobre os joelhos ou sozinha no sepulcro. Estes dois tipos iconográficos são designados por Nossa Senhora da Piedade e Nossa Senhora das Sete Dores. A primeira representação de Nossa Senhora da Piedade é chamada em italiano de Pietá e em alemão de Vesperbild. É mais comum ser representada sozinha com o cadáver de seu filho o que distingue da cena “Lamentação ao pé da cruz” que comporta numerosa figuração.
A evolução de iconografia se estendeu do século XIV ao XVI. Na Alemanha, França e Itália, encontramos duas tipologias principais. A primeira comporta numerosas variantes. No século XIV e XV, o Cristo acha-se sobre os joelhos de sua mãe deixando a cabeça cair inerte, algumas vezes é representada por uma criança e a Virgem (...) é figurada bem mais jovem. (...)
No Século XV, volta a aparecer a representação de Jesus adulto. Cristo acha-se em posição horizontal, com a ferida do dorso em evidência. Pode ser também representado na diagonal, tendo os pés apoiados ao chão.(...)
Já no século XVI, aparece a segunda tipologia desta representação. Sob influência de novo ideal renascentista, mais voltada para a beleza formal, proporção e lógica, o Cristo acha-se estendido aos pés da Virgem, tendo apenas a cabeça apoiada nos joelhos desta. Segundo os críticos, a representação perde então a união profunda, o caráter de intimidade e ternura, ganhando em troca mais harmonia.
Em Portugal, a mais antiga representação de Nossa Senhora da Piedade era pintada em madeira. Representava a Virgem assentada ao pé da cruz tendo nos braços o Jesus morto, e pertencia a uma irmandade que tinha por objetivo enterrar os mortos, visitar e confortar os encarcerados. As Casas de Misericórdia em Portugal, fundadas por iniciativas de Frei Miguel de Contreiras, adotaram a temática daquela antiga pintura como emblema. Em Minas, a primeira Casa da Misericórdia foi criada em Vila Rica e aprovada pela Carta Régia de 1736.
O culto à Senhora da Piedade parece ter chegado à capitania de Minas por intermédio dos bandeirantes paulistas. Conforme explicação de Nilza Botelho Megale, esta Virgem era considerada padroeira de Guaipacaré (Guaratinguetá), passagem obrigatória durante o período colonial para os viajantes que transitavam entre Rio de Janeiro e São Paulo e segundo Augusto de Lima Júnior, o “último pouso civilizado qual os aventureiros podiam orar, antes de mergulharem-se no deserto selvagem do descobrimento de ouro das Gerais”.
Dentre os arraiais mineiros desenvolvidos em torno das capelas dedicadas a Nossa Senhora da Piedade, destaca-se o da Borda do Campo (Barbacena), onde era venerada uma imensa imagem da Virgem trazida de Portugal por imigrantes ou jesuítas e cuja matriz recebeu benção em 1748. De lá, o culto se expandiu por toda a Capitania, indo localizar-se principalmente na Serra da Piedade.
No estudo dos atributos iconográficos da Virgem da Piedade, Nossa Senhora aparece assentada, algumas vezes em frente à cruz, tendo o Jesus Morto em seu colo. Com a mão direita, segura o corpo inerte de seu Divino Filho. Não usa coroa, aparecendo apenas uma auréola em torno de sua cabeça. Seu olhar demostra angustia e tristeza. (...)
A segunda representação deste grupo iconográfico refere-se à Nossa Senhora das (Sete) Dores. (...) Por esta razão, é chamada na Espanha Nossa Senhora Solitude (Soledad), sendo figurada de mãos postas com grossas lágrimas rolando em sua face. Para exprimir melhor a dor, a Virgem passou a ser representada com um punhal ou espada trespassando seu peito. (...)
Conclusão: No Brasil, a devoção á Maria Santíssima, cujo culto foi trazido pelos colonizadores portugueses, foi notadamente intensa. Pode-se até mesmo associar-se as diversas etapas de nossa história com as diversas invocações de Maria em terra brasileira“.
Nem precisa acrescentar nada, para justificar a devoção do povo de Pará de Minas por sua Padroeira Nossa Senhora da Piedade, escolhida oficialmente por seus moradores em 1772 quando a Provisão Episcopal de 3 de julho autorizou a instituição da Capela no Patafufo(Pará de Minas), freguesia de Pitangui, com a invocação que escolher os seus moradores.
Artigo publicado na coluna RESGATE HISTÓRICO do Jornal Diário de Pará de Minas link www.jornaldiariopm.com.br .

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04:21:28 Durante o mês de novembro os integrantes do grupo Acervo Documental “Mesopotâmia Mineira” apresentaram seu trabalho para alunos do ensino fundamental e médio de Pará de Minas e Tavares. Foram duas apresentações, sendo uma na Escola Estadual Ângela Maria de Oliveira, no Bairro São Pedro, em Pará de Minas, e a outra na Escola Estadual Francisco de Assis Viana na comunidade de Tavares. A primeira foi acompanhada por um público de aproximadamente 100 pessoas entre alunos e professores. A segunda apresentação teve um público de aproximadamente 50 pessoas, composta por alunos, professores e moradores de Tavares. As duas apresentações foram articuladas pelo professor de História, Edmar Bernardes, que leciona nas duas escolas mencionadas e colaborador do projeto “Mesopotâmia Mineira”.
O objetivo das apresentações é a divulgação do trabalho realizado desde 2002, sob a coordenação do Professor especialista Geraldo Fernandes Fonte Boa, de organização, recuperação e catalogação de processos judiciais de Pará de Minas e região, dos séculos XIX e XX. O projeto visa ainda, implementar e desenvolver a pesquisa histórica da região delimitada pelos rios Pará e Paraopeba dentro das mais recentes correntes de pensamento da historiografia mundial. Essas correntes formam um conjunto de idéias, métodos e conceitos desenvolvidos por historiadores renomados da conhecida Escola dos ANNALES que teve como seus representantes e divulgadores Marc Bloch e Lucien Febvre. Complementando o desenvolvimento da historiografia clássica, porém, propondo uma reconstituição da história através da visão total da natureza humana, ou seja, a busca da interpretação do homem através da ampla produção material e espiritual (mentalidade), no seu cotidiano. Essas idéias nos levam ao estudo de todo e qualquer objeto – objeto aqui no sentido literal – produzido pelo homem comum, logo, os processos recuperados e catalogados pelo grupo são uma fonte inestimável de dados para a compreensão das relações sociais que hoje travamos, bem como uma “releitura” das ações de nossos antepassados.
Utilizando-se dessa corrente historiográfica como referencial teórico para análise dos documentos, cedidos pela justiça e sob nossa guarda, o grupo pretende ir além do que está escrito e, interpretando os dados dos documentos, trazer à luz uma nova visão da História de nossa região, conectando-a aos mais proeminentes fatos relatados da História. O trabalho desenvolvido contribui dessa forma, não apenas para construir o conhecimento sobre a natureza de nossas relações interpessoais e com o espaço geográfico (meio), desmistificando pessoas e fatos, sobretudo fornecendo subsídios para pesquisadores de outros locais e que se ocupam das pesquisas sobre a História do Brasil.
Outro ponto importante do trabalho do grupo é a divulgação do nome de Pará de Minas e região, projetando-a nacional e internacionalmente, tendo em vista os padrões internacionais de organização, catalogação e disponibilização dos dados,utilizando-se ainda, dos modernos meios eletrônicos (internet) disponíveis no momento.
Funcionando no Museu Histórico de Pará de Minas – onde encontra-se um acervo de mais de dois mil documentos entre inventários, processos crimes, arrolamentos, execução de dívida, etc. – e no Centro de Pesquisa e História Regional da Faculdade de Pará de Minas, com um acervo de dois mil e duzentos documentos, o grupo conta hoje com o trabalho voluntário de oito pesquisadores que não medem esforços, apesar das dificuldades financeiras e de ordem estrutural, no trabalho de catalogação e pesquisa. Eles literalmente “põem a mão na massa”.
Além da divulgação dos trabalhos do grupo, tentamos conscientizar as pessoas da necessidade e importância da conservação da memória histórica de nossa região. Conclamamos todos para uma cruzada de conservação dos documentos antigos de suas famílias; desde bilhetes, pedaços de papel escrito, listas de compras, até documentos de valor jurídico. Ressaltamos que, caso não tenham interesse ou condições de guardá-los na própria residência, poderiam encaminhá-los ao Museu Histórico de Pará de Minas, onde receberão toda atenção e os cuidados para o devido arquivamento e conservação para posteriores pesquisas.
No decorrer dos anos as pesquisas se aprofundaram e diversificaram em vários eixos. A cultura material é um dos eixos pesquisados e visa conhecer as relações comerciais com o meio e sua interferência nas relações sociais, além de criar, no decorrer do levantamento dos dados, um banco de dados estatístico da atividade econômica da região, no século XIX. As relações sociais entre senhores e escravos, fazendeiros e roceiros, profissionais liberais e comerciantes são contempladas através de artigos acadêmicos e artigos para o jornal. A escravidão é assunto sempre em pauta nas discussões com inúmeros artigos, trabalhos acadêmicos e trabalhos de conclusão de curso (monografia). Destacamos aqui, uma pesquisa sobre a “Brecha camponesa”. “Brecha camponesa” é um termo cunhado pelos historiadores na década de 70, destacando-se Ciro Flamarion Cardoso e Jacob Gorender. Não detalharemos aqui sobre a “Brecha Camponesa”, pois, será assunto de outros artigos. As relações afetivas e a mentalidade são temas importantes e considerados nas pesquisas do grupo; destacamos um processo de divórcio em 1895, que está sendo analisado e poderá vir a ser utilizado na pesquisa de doutorado de uma historiadora da Universidade Federal de Minas Gerais. O trabalho é grande e importante para o entendimento sobre a nossa região, de posse desse conhecimento tentamos dar um novo significado para o nosso presente atuando continuamente para a construção de um futuro melhor para todos e para o meio em que vivemos.
Estamos convictos que o trabalho do grupo na conservação dos documentos interferirá sobremaneira nas pesquisas futuras, que talvez sejam baseadas em mídias eletrônicas e, como sabemos, este meio ainda apresenta problemas para preservação dos dados, além de tornarem-se obsoletos muito rapidamente. Receamos pelas fontes que estarão disponíveis para os futuros pesquisadores. Daqui a alguns anos, talvez toda a História de um povo venha a se perder em apenas um clique.

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04:08:32 
A equipe do Acervo Documental Mesopotâmia Mineira mantém uma coluna semanal no Jornal Diário de Pará de Minas, sempre nas Segundas-feira. O objetivo desta coluna denominada "Resgate Histórico" é tornar público resultados de suas pesquisas. Já possuímos mais de uma centena de artigos, com linguagem fácil e acessível, sempre com uma contextualização da história nacional.
Além da Coluna "Resgate Histórico" temos participado da Revista Estilo, também do grupo Diário de Pará de Minas. Esta revista busca divulgar a cidade de Pará de Minas e sempre que podemos estamos participando com grande interesse.
Orientamos também os trabalhos de conclusão de curso dos formandos em história da Faculdade de Pará de Minas, além de escrevermos artigos acadêmicos para a Revista da Fapam.
Futuramente queremos colocar, neste espaço, os links para nossos artigos para que sirvam para os pesquisadores que nos visitarem.
Enquanto aguardam sugerimos acessar ao link abaixo:

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19:15:18O Acervo Documental Mesopotâmia Mineira surgiu em 2002 e tem como objetivo organizar e disponibilizar para pesquisa parte da documentação cartorial (1º e 2º ofício) da Comarca de Pitangui, Termo da Cidade do Pará, hoje Pará de Minas.
A documentação está organizada em uma seqüência cronológica e por sua natureza. São aproximadamente 5.000 documentos, sendo a sua grande maioria da segunda metade do Século XIX. Esta documentação encontra-se disponível no Museu Histórico de Pará de Minas e na Faculdade de Pará de Minas, e recebe visita de pesquisadores da região através de agendamento prévio, pelo e-mail de seu coordenador, prof. Geraldo Fernandes Fonte Boa, fonte@nwnet.com.br ou pelo telefone do Museu Histórico de Pará de Minas - (37) 3231-7790, com Ana Maria. O funcionamento do Museu histórico é de Terça a sexta-feira no horário comercial.
O Acervo Documental Mesopotâmia Mineira é composto por uma equipe de profissionais formados em História e se dedicam a estudar a história da região. Seus membros são: Prof. Geraldo Fernandes Fonte Boa (Coordenador), Prof. Dr. Flávio Marcus da Silva, Prof. Alaércio Antônio Delfino, Prof. Joandre de Oliveira Melo, Prof. Geraldo de Sousa Rodrigues e a Analista de Cultura Ana Maria Campos.

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